Mais ricos foram menos atingidos pela inflação em 2021
Da Redação
18 de janeiro de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h18)Dados do Ipea mostram que as faixas de renda alta e média-alta foram as únicas que registraram variação de preços abaixo de 10%. Diferença se explica por padrões de consumo de cada segmento da população
Funcionários trocam preços expostos em posto de gasolina no Rio de Janeiro
A inflação registrada no Brasil em 2021 foi menor para as classes econômicas mais altas, mostram dados divulgados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) nesta terça-feira (18). Segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, os grupos de renda alta (9,54%) e média-alta (9,66%) foram os únicos que observaram uma variação de preços menor do que o aumento de 10,06% captado pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), principal índice da inflação.
As faixas de renda média e média-baixa foram as mais atingidas pelos reajustes dos preços, que chegaram a 10,26% e 10,4%, respectivamente. A variação foi de 10,1% para a faixa de renda baixa e 10,08% para o segmento de renda muito baixa.
A diferença nos índices de inflação entre as classes se explica pelos padrões de consumo de cada grupo populacional. Nas faixas de renda mais baixa, habitação e alimentação costumam representar uma parcela maior dos gastos, enquanto faixas de renda mais alta gastam mais com lazer e turismo, por exemplo. Cada um desses setores registra diferentes variações de preços.
Em 2021, a classe de renda mais baixa foi mais atingida pelo setor de habitação, com aumento de 21,2% nas tarifas de energia elétrica e de 37% no preço do botijão de gás. O grupo de renda alta, por sua vez, sentiu mais a variação do setor de transportes, com aumentos de 47,5% na gasolina e 62,2% no etanol.
Ainda assim, a diferença entre as taxas de inflação das faixas alta e muito baixa foi de apenas 0,54 ponto percentual — número menor do que os 3,48 pontos registrados em 2020. A diferença mais acentuada no ano anterior foi causada pela diminuição nos preços do setor de serviços durante o momento de maior restrição da pandemia de covid-19. O segmento de serviços pesa mais nas contas das classes mais altas, que acabaram registrando taxas de inflação menores.
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