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Fome no Brasil atinge 33 milhões e volta ao patamar dos anos 90

Da Redação

08 de junho de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h32)

Número quase dobrou em relação a 2020. Insegurança alimentar, quando não há acesso estável a alimentos, já chega a mais de 58% da população

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FOTO: MARCELLO CASAL JR/AGÊNCIA BRASIL

Criança carrega saco com mantimentos em área enlameada de um lixão

Criança carrega saco com mantimentos em área enlameada de um lixão

Aproximadamente 33,1 milhões de brasileiros passam fome no Brasil em 2022, ou seja, estão sujeitos à insegurança alimentar grave. O número equivale a 15,2% da população do país.Os dados são do 2º Inquérito Nacional Sobre Segurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil , divulgado nesta quarta-feira (8) pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional).

O estudo, executado pelo instituto Vox Populi, mostra que esse número quase dobrou em relação a 2020, atingindo 14 milhões de pessoas a mais. Dados do Ipea (Instituto de Pesquisa econômica Aplicada) mostram que em 1993 o país tinha 32 milhões de pessoas passando fome. Isso quer dizer que a fome no Brasil em 2022 se equipara à fome do Brasil de quase 30 anos antes.

“Já não fazem mais parte da realidade brasileira aquelas políticas públicas de combate à pobreza e à miséria que, entre 2004 e 2013 reduziram a fome a apenas 4,2% dos lares brasileiros [tirando o País do mapa da fome mundial]”, disse Renato Maluf, coordenador da Rede Penssan.

A insegurança alimentar é mais ampla do que a fome. Ela é caracterizada pela falta de acesso pleno e estável a alimentos de qualidade e quantidade adequados. Ela pode ser:

  • grave , quando a pessoa convive com a fome dentro de casa
  • moderada , quando a qualidade está comprometida e a quantidade não é suficiente para todos da família
  • leve , quando há redução da qualidade por medo de faltar comida em casa

O levantamento aponta que mais da metade da população (58,7%) sofre com a insegurança alimentar em algum grau em 2022, seja ele leve, moderado ou grave. Seis de cada dez famílias, portanto, não têm pleno acesso a alimentação, numa soma que chega a cerca 125,2 milhões de brasileiros. Trata-se de um aumento de 7,2% em relação a 2020, quando foi feita a primeira edição da pesquisa e quando a pandemia foi decretada pela OMS (Organização Mundial da Saúde).

A partir de dados históricos do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), é possível fazer comparações com anos anteriores. Em relação a 2018, por exemplo, houve um grande salto, com aumento de 60% de pessoas em situação de insegurança alimentar no Brasil.

Segundo os especialistas responsáveis pelo estudo, esse quadro preocupante não se deve apenas à pandemia de covid-19 e aos impactos econômicos da guerra na Ucrânia, mas também à falta de atuação do poder público. “As medidas tomadas pelo governo para contenção da fome hoje são isoladas e insuficientes, diante de um cenário de alta da inflação, sobretudo dos alimentos, do desemprego e da queda de renda da população, com maior intensidade nos segmentos mais vulnerabilizados”, disse Renato Maluf.

De acordo com o levantamento, a região do país onde há mais pessoas sofrendo fome é o Nordeste (12,12 milhões), seguido por Sudeste (11,74 milhões), Norte (4,85 milhões), Sul (3,01 milhões) e Centro-Oeste (2,15 milhões). O estudo também mostra outros dados:

  • A insegurança alimentar esteve presente em mais de 60% dos domicílios de áreas rurais
  • 65% dos lares comandados por pessoas pretas ou pardas apresenta insegurança alimentar em algum nível em comparação a 53,2% das casas com chefes de família brancos
  • A fome castiga 19,3% dos lares onde a mulher é a pessoa de referência e 11,9% das casas onde o homem cumpre esse papel
  • De 2020 para 2022, a insegurança alimentar grave dobrou entre as famílias que têm crianças menores de 10 anos

Os pesquisadores entrevistaram pessoas de 12.745 domicílios, distribuídos em áreas urbanas e rurais de 577 municípios das 27 unidades da federação entre novembro de 2021 e abril de 2022. Os critérios adotados pelo levantamento tiveram como base a Ebia (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar), que é também utilizada pelo IBGE.

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