Consciência do eleitor sobre importância da Amazônia cresce
Da Redação
26 de setembro de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h44)Para maior parte do eleitorado, proteger o bioma deve estar entre as prioridades dos candidatos. Administração ambiental de Bolsonaro é criticada
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Área desmatada da floresta amazônica no Estado de Rondônia
Para 83% dos eleitores, a proteção da Amazônia deve estar entre as prioridades dos candidatos à Presidência segundo pesquisa encomendada pelo Instituto Clima e Sociedade , divulgada nesta segunda-feira (26). Mais de sete em cada dez eleitores acreditam que preservar o bioma é importante para o desenvolvimento econômico do país.
A pesquisa foi realizada pelo instituto PoderData e ouviu 3.000 pessoas nas 27 unidades da federação entre os dias 6 e 7 de setembro. O aumento da percepção foi de 18 pontos percentuais em relação ao mesmo questionário apresentado em julho.“É muito importante o aumento desse grau de conhecimento e de percepção positiva da floresta. A campanha eleitoral politizou o tema e destacou a importância da proteção da Amazônia na agenda do desenvolvimento, do combate à fome e do bem-estar social”, disse em nota o cientista político Fabiano Santos, professor e pesquisador da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e coordenador do Legal (Laboratório de Estudos Geopolíticos da Amazônia Legal).
Na mesma pesquisa, o governo Bolsonaro foi reprovado no tema: 51% disseram que a administração do candidato à reeleição em relação ao tema ambiental foi ruim ou péssima, três pontos percentuais a mais do que em junho.
O aumento da consciência do eleitor sobre a importância da Amazônia vem não só em um momento de proximidade com as eleições, mas também em um contexto onde as mudanças climáticas se tornaram uma urgência global e o desmatamento no país bateu recordes .
Segundo dados do Seeg (Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa), ligado ao Observatório do Clima, o desmatamento é o principal responsável pelas emissões brutas brasileiras , com 46%. As emissões brutas, diferentemente das líquidas, são as que não consideram a remoção de carbono da atmosfera por crescimento de novas vegetações. As líquidas equivalem às brutas menos o total de gases que foram retirados da atmosfera por essas novas vegetações.
Entre 2004 e 2012, o Brasil conseguiu reduzir o nível de desmatamento adotando medidas como monitoramento via satélite, expansão de áreas protegidas na Amazônia e restrição de crédito rural para fazendeiros que não cumpriam a lei ambiental.
O desmatamento na Amazônia parou de cair a partir de 2012, nos governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). As explicações para o quadro incluem mudanças de ordem política, como a aprovação do novo Código Florestal de 2012 — considerado mais permissivo —, o abandono da demarcação de áreas protegidas e a redução orçamentária do Ministério do Meio Ambiente.
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