Cientistas americanos anunciam sucesso em fusão nuclear
Da Redação
13 de dezembro de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h51)Experimento representa passo importante na busca por uma fonte de energia limpa, barata e abundante que pode mudar o mundo
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Construção de um reator de fusão nuclear Tokamak, dispositivo experimental projetado para confinar plasmas de alta temperatura, em Chengdu, China
Cientistas do Laboratório Lawrence Livermore, nos EUA, anunciaram nesta terça-feira (13) que conseguiram atingir uma reação de fusão nuclear estável . O feito ocorreu no dia 5 de dezembro e representa um passo importante para o desenvolvimento da tecnologia que pode frear as mudanças climáticas e catapultar novos modos de produção e organização econômica.
“É um exemplo maravilhoso de uma conquista científica que foi alcançada e a estrada que se abre para novas possibilidades de energia limpa”, disse em nota oficial Arati Prabhakar, conselheiro científico do presidente americano Joe Biden.
A fusão foi obtida a partir do disparo de 192 lasers em átomos de hidrogênio, obtendo o resultado necessário para que o reator utilizado gerasse mais energia do que consumiu.
A fusão nuclear – como o próprio nome diz – consiste em unir dois ou mais átomos distintos para formar um terceiro. A diferença na massa dos elementos combinados gera a liberação de energia.
O processo de fusão nuclear acontece todos os dias no Sol, a partir da transformação de átomos de hidrogênio em átomos de hélio. É a partir dessas reações que a estrela emite luz e calor, essenciais para a vida na Terra.
O hidrogênio, gás inofensivo e abundante na atmosfera terrestre, é fácil de ser fundido. Por isso, a ideia de construir um reator nuclear de fusão consiste em imitar, em menor escala, as reações que já acontecem no Sol, a fim de aproveitar a energia resultante das reações para alimentar redes elétricas e maquinários de diversos tipos e tamanhos.
No vídeo abaixo, o físico Vinícius Njaim Duarte explica por que a fusão nuclear é importante para o futuro ambiental e energético do planeta. “Acho que não existe nenhum exagero em falar que seria um divisor de águas na civilização. Se for provada a viabilidade comercial desse conceito, desses reatores, não existiria mais necessidade, ou diminuiria consideravelmente a necessidade, de combustíveis fósseis e mitigaria em muito a emissão de gases de efeito estufa, justamente no momento em que o mundo vem discutindo como conter os efeitos causados pela humanidade nas mudanças climáticas”, disse ao Nexo Políticas Públicas em maio de 2021.
Atualmente, as usinas nucleares— como as de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro — funcionam a partir da fissão nuclear, a quebra dos átomos de metais pesados para gerar energia. Apesar de ser segura, incidentes podem ter consequências desastrosas, como no vazamento radioativo em Chernobyl, na Ucrânia, em 1986; e a pane na usina de Fukushima, no Japão, em 2011.
Quando estiver em pleno funcionamento, os reatores de fusão nucleares vão gerar apenas vapor como resíduo e podem ser desligados rapidamente com o apertar de um botão.
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