Nikolas Ferreira faz discurso transfóbico e machista na Câmara
Da Redação
08 de março de 2023(atualizado 28/12/2023 às 17h18)Deputado bolsonarista usou Dia da Mulher para mimetizar principal agenda trumpista nos EUA. Tabata Amaral pede cassação de mandato
Nikolas Ferreira durante discurso no Dia Internacional da Mulher
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou seu tempo no plenário da Câmara dos Deputados no Dia Internacional da Mulher para fazer um discurso transfóbico e machista. O bolsonarista colocou uma peruca para ofender a população LGBTI+ e reafirmar insultos que já havia feito contra a deputada Duda Salabert (PDT-MG) em 2020.
Também nesta terça-feira (8), Tabata Amaral (PSB-SP) disse que irá pedir a cassação do parlamentar no Conselho de Ética. A deputada chamou o colega de“moleque” e classificou seu discurso como “preconceituoso, criminoso, absurdo e nojento”. A Câmara costuma ser leniente com atitudes assim. Nos quase 30 anos em que atuou como deputado, Jair Bolsonaro repetiu reiteradamente discursos preconceituosos, sem ser punido por isso. Na verdade, ganhou visibilidade e virou presidente da República (2019-2022).
A fala de Nikolas colocou o deputado entre os assuntos mais comentados no Twitter. Ele ironizou a identidade de gênero das pessoas trans, dizendo que “se sentia mulher” e que “as mulheres estão perdendo o seu espaço para homens que se sentem mulheres”. Além das ofensas transfóbicas, Nikolas também criticou o feminismo e disse que as mulheres não deviam nada ao movimento,“pelo contrario, o feminismo que exalta mulheres que nada fizeram pelas mulheres”.
Nikolas foi o deputado mais votado em 2022 e é um dos principais nomes do bolsonarismo com mandato legislativo em Brasília. Quando ainda era vereador de Belo Horizonte, fez um discurso transfóbico contra a então vereadora Duda Salabert, atitude pela qual ele está sendo processado . Transfobia é crime comparável ao racismo no Brasil.
O discurso transfóbico usado pelo deputado de extrema direita é uma estratégia retórica em ascensão entre lideranças ultraconservadoras nos EUA. Na últimaConferência de Ação Política Conservadora (CPAC, na sigla em inglês) realizada em 3 de março, ofensas à população trans foram o assunto central das falas do ex-presidente Donald Trump e de outros palestrantes.
O Brasil é o país com maior número de mortes de pessoas trans e travestis do mundo. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, 131 pessoas trans e travestis foram assassinadas e outras 20 tiraram a própria vida em virtude de discriminação e do preconceito em 2022.
ESTAVA ERRADO: Numa versão anterior deste texto, o nome da deputada Duda Salabert estava escrito errado. O texto foi corrigido às 19:23 de 8 de março de 2023.
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