Ao assumir seu terceiro mandato, Lula prometeu “colocar o rico no imposto de renda”. Em 2023, o governo do petista conseguiu aprovar medidas para aumentar a taxação dos super-ricos, como a tributação de fundos exclusivos e de investimentos offshore.
A promessa do presidente parte do fato de que os brasileiros com maior renda pagam menos imposto de renda do que muitas pessoas que ganham menos que eles. Entenda por que isso acontece em três gráficos.
Os gráficos são produzidos a partir de dados da declaração do Imposto de Renda de 2022. Por isso, só dizem respeito a quem declarou e aos rendimentos que foram efetivamente declarados.
declarantes de
imposto de renda
Em 2022, o 1% de declarantes
com maior renda recebeu R$ 2,98 milhões, quase R$ 250 mil por mês
Mais ricos pagam imposto de renda
sobre parte pequena do que ganham
Quando se fala em renda, a primeira coisa que vem à mente são os salários — ou seja, os recebimentos ligados ao trabalho. Mas as pessoas podem receber dinheiro mensalmente de diferentes fontes.
Nem todos os rendimentos estão sujeitos ao Imposto de Renda. Além da faixa de isenção — que em 2023 ia até R$ 2.640 —, há outras modalidades de renda em que o imposto que não é cobrado. São as chamadas rendas isentas.
São exemplos de cada tipo de renda:
Salários
Aluguéis
Dinheiro recebido de fora
Sujeitas à cobrança normal de imposto
Rendimento de aplicações financeiras
13o salário
Sujeitas a alíquotas mais baixas
Lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas
Rendimentos de sócios de empresas no Simples Nacional
Heranças e doações
Parte dos montantes das aposentadorias
Parte dos rendimentos de atividades rurais
Tipos de renda, por grupo declarante
Por centil, no Imposto de Renda de 2022
66,3% do
rendimento do 1%
mais rico é isento
16,5% do rendimento
do brasileiro mediano
é isento
Cada centil representa 1% dos declarantes
O gráfico mostra que as isenções crescem conforme se caminha para as faixas mais ricas.
Isso acontece principalmente porque os mais ricos conseguem boa parte da sua renda com lucros e dividendos.
A reforma tributária da renda, que o governo precisa enviar ao Congresso até março de 2024, poderá propor a cobrança de IR sobre lucros e dividendos.
Mais ricos são mais beneficiados
pelas deduções no imposto de renda
Outro fator importante para o cálculo do imposto são as deduções. São abatimentos feitos sobre a base de cálculo da renda tributável. Ou seja, o montante que entra na conta para a cobrança do imposto fica menor.
% do total de deduções que vai para cada grupo de declarantes
Por centil, no Imposto de Renda de 2022
41,5% das deduções foram feitas pelos 10% mais ricos
13,5% das deduções foram feitas pelos 50% com menor renda
Cada centil representa 1% dos declarantes
Gastos de profissionais autônomos para prestação de serviços
Despesas médicas
Despesas com educação
Pagamento de pensão alimentícia
Contribuições à Previdência
Em 2024, o governo de Lula considera colocar um limite nas deduções por despesa médica.
Após isenções e deduções, alíquota
dos mais ricos fica mais baixa
Por causa da maior parcela de isenções e deduções, os brasileiros mais ricos pagam menos Imposto de Renda do que outros que ganham menos.
% efetivamente pago de imposto de renda
Por centil, no Imposto de Renda de 2022
1,8% foi a alíquota efetiva do 0,01% mais rico
2,3% foi a alíquota efetiva do brasileiro mediano
Cada centil representa 1% dos declarantes
O gráfico mostra o percentual da renda que foi pago ao Estado na forma desse imposto.
O pico acontece no centil 93. Ou seja, quem ganha em torno de R$ 22.300 por mês (contando todas as fontes de rendimento) paga 11,0% em média, a maior alíquota efetiva entre todas as faixas de renda.
Mas, depois disso, quem ganha mais tende a pagar menos imposto, em termos proporcionais. O 1% mais rico — que ganha em torno de R$ 250.000 por mês — paga, em média, 4,2% de sua renda em Imposto de Renda. A diferença aumenta conforme se olha para dentro dos super-ricos.
Fonte: Dados da declaração do IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) de 2022, compilados pela Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda e publicados no Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira.
Ao assumir seu terceiro mandato, Lula prometeu “colocar o rico no imposto de renda”. Em 2023, o governo do petista conseguiu aprovar medidas para aumentar a taxação dos super-ricos, como a tributação de fundos exclusivos e de investimentos offshore.
A promessa do presidente parte do fato de que os brasileiros com maior renda pagam menos imposto de renda do que muitas pessoas que ganham menos que eles. Entenda por que isso acontece em três gráficos.
Os gráficos são produzidos a partir de dados da declaração do Imposto de Renda de 2022. Por isso, só dizem respeito a quem declarou e aos rendimentos que foram efetivamente declarados.
declarantes de
imposto de renda
Em 2022, o 1% de declarantes
com maior renda recebeu R$ 2,98 milhões, quase R$ 250 mil por mês
Mais ricos pagam imposto de renda sobre parte pequena do que ganham
Quando se fala em renda, a primeira coisa que vem à mente são os salários — ou seja, os recebimentos ligados ao trabalho. Mas as pessoas podem receber dinheiro mensalmente de diferentes fontes.
Nem todos os rendimentos estão sujeitos ao Imposto de Renda. Além da faixa de isenção — que em 2023 ia até R$ 2.640 —, há outras modalidades de renda em que o imposto que não é cobrado. São as chamadas rendas isentas.
São exemplos de cada tipo de renda:
Salários
Aluguéis
Dinheiro recebido de fora
Sujeitas à cobrança normal de imposto
Rendimento de aplicações financeiras
13o salário
Sujeitas a alíquotas mais baixas
Lucros e dividendos distribuídos a pessoas físicas
Rendimentos de sócios de empresas no Simples Nacional
Heranças e doações
Parte dos montantes das aposentadorias
Parte dos rendimentos de atividades rurais
Tipos de renda, por grupo declarante
Por centil, no Imposto de Renda de 2022
66,3% do
rendimento do 1%
mais rico é isento
16,5% do rendimento
do brasileiro mediano
é isento
Cada centil representa 1% dos declarantes
O gráfico mostra que as isenções crescem conforme se caminha para as faixas mais ricas.
Isso acontece principalmente porque os mais ricos conseguem boa parte da sua renda com lucros e dividendos.
A reforma tributária da renda, que o governo precisa enviar ao Congresso até março de 2024, poderá propor a cobrança de IR sobre lucros e dividendos.
Mais ricos são mais beneficiados pelas deduções no imposto de renda
Outro fator importante para o cálculo do imposto são as deduções. São abatimentos feitos sobre a base de cálculo da renda tributável. Ou seja, o montante que entra na conta para a cobrança do imposto fica menor.
% do total de deduções que vai para cada grupo de declarantes
Por centil, no Imposto de Renda de 2022
13,5% das deduções foram feitas pelos 50% com menor renda
41,5% das deduções foram feitas pelos 10% mais ricos
Cada centil representa 1% dos declarantes
Gastos de profissionais autônomos para prestação de serviços
Despesas médicas
Despesas com educação
Pagamento de pensão alimentícia
Contribuições à Previdência
Em 2024, o governo de Lula considera colocar um limite nas deduções por despesa médica.
Após isenções e deduções, alíquota dos mais ricos fica mais baixa
Por causa da maior parcela de isenções e deduções, os brasileiros mais ricos pagam menos Imposto de Renda do que outros que ganham menos.
% efetivamente pago de imposto de renda
Por centil, no Imposto de Renda de 2022
1,8% foi a alíquota efetiva do 0,01% mais rico
2,3% foi a alíquota efetiva do brasileiro mediano
Cada centil representa 1% dos declarantes
O gráfico mostra o percentual da renda que foi pago ao Estado na forma desse imposto.
O pico acontece no centil 93. Ou seja, quem ganha em torno de R$ 22.300 por mês (contando todas as fontes de rendimento) paga 11,0% em média, a maior alíquota efetiva entre todas as faixas de renda.
Mas, depois disso, quem ganha mais tende a pagar menos imposto, em termos proporcionais. O 1% mais rico — que ganha em torno de R$ 250.000 por mês — paga, em média, 4,2% de sua renda em Imposto de Renda. A diferença aumenta conforme se olha para dentro dos super-ricos.
Fonte: Dados da declaração do IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) de 2022, compilados pela Secretaria de Política Econômica, do Ministério da Fazenda e publicados no Relatório da Distribuição Pessoal da Renda e da Riqueza da População Brasileira.