Oito décadas após o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, o mundo ainda lida com a ameaça nuclear. O aumento das tensões geopolíticas envolvendo potências nucleares reacendeu preocupações sobre uma potencial corrida armamentista, como ocorreu na Guerra Fria (1947-1991), e os riscos de uma guerra nuclear.
Até 2023, 76% dos novos tipos de sistemas nucleares foram introduzidos ainda durante a Guerra Fria, marcada pela tensão entre EUA e União Soviética. A busca pela dissuasão entre os países, estratégia que visa deter um adversário pelo medo de retaliação, levou ao aprimoramento dos arsenais para evitar ataques surpresa e garantir a segurança nacional.
Em resposta a essa expansão e aos riscos de uma tragédia nuclear, o TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares), assinado em 1968 e em vigor desde 1970, foi estabelecido como um marco internacional. Contudo, alguns países desenvolveram armamento sem o controle internacional, como é o caso de Coreia do Norte, Índia, Israel e Paquistão.
Atualmente, dos nove países que possuem armas nucleares, cinco são signatários do TNP:
Um sistema de arma nuclear é o conjunto de componentes necessários para o seu uso de forma controlada, incluindo as ogivas (munição nuclear), veículos de entrega, mecanismo de segurança, entre outros.
É possível categorizar os sistemas por tipo de missão, que considera, além do alcance do sistema e potência da explosão, o seu propósito de uso.
Possuem mísseis de capacidade mais limitada tanto de alcance quanto de explosão, projetadas para utilização em contexto específicos, como em campos de batalha
Possuem maior potência explosiva, com alcance intercontinental. São capazes de destruir cidades inteiras e ameaçar superpotências. As estratégicas da primeira geração eram bombas não guiadas que dependiam do lançamento por aeronaves e da gravidade para atingir um alvo
Têm características das armas estratégicas e táticas. Possuem potência e alcance intermediários ou flexíveis, podendo ser utilizadas desde conflitos regionais até em crises internacionais
43,6% dos tipos de sistemas de armas nucleares introduzidos até 2023 eram táticos, porém nenhum deles foi usado em combate. Apesar de terem uma capacidade mais reduzida em relação às estratégicas, essas armas ainda podem causar grande destruição quando comparadas às armas convencionais.
Existe também o receio de que, por serem vistas como mais passíveis de uso em guerra, esse armamento possa incentivar a normalização do uso de armas nucleares pelos países e desencadear uma nova corrida nuclear. No pior cenário, o uso de armas táticas colocaria fim à dissuasão, abrindo possibilidade para um contra-ataque com armas estratégicas.
Tipos de sistemas de armas nucleares por missão
De 1945 a 2023, apenas entre os cinco países detentores incluídos no TNP
Estratégicas de 1ª geração
*O gráfico representa apenas o número de tipos de sistemas e não o número total de unidades ou quantidade de ogivas
Atualmente, a Rússia é o país com maior número de ogivas e também o que possui maior variedade de armas de uso tático operacional. Além de ter herdado os estoques da União Soviética, o país expandiu e aprimorou seu arsenal, assim como a China.
Com os desdobramentos da guerra na Ucrânia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez ameaças públicas e exercícios com armas táticas. Essas ações são vistas como estratégia para dissuadir nações do Ocidente do conflito, porém tem aumentado as tensões de um potencial cenário nuclear.
Putin também suspendeu a participação da Rússia no New Start, que integra uma série de acordos feitos entre os EUA e a União Soviética (depois Rússia) para limitar e reduzir as armas nucleares estratégicas desses países.
Tipos de sistemas de armas nucleares por missão e ano
De 1945 a 2023, apenas entre os cinco países detentores incluídos no TNP
*O gráfico representa apenas o número de tipos de sistemas
e não o número total de unidades ou quantidade de ogivas
Estratégicas de 1ª geração
A Little Boy e a Fat Man deram início a 1ª geração de armas estratégicas
URSS cria sua primeira arma nuclear
Os EUA criaram a MK-5, primeira arma tática
Reino Unido cria sua primeira arma nuclear
EUA criam as primeiras armas híbridas e estratégicas
França cria sua primeira arma nuclear
Entrou em vigor o Tratado de Não
Proliferação de Armas Nucleares (TNP)
China cria sua primeira arma nuclear
Recorde de 105 tipos de sistemas ativos
Entrou em vigor o Tratado de Redução
de Armas Estratégicas (START I)
Entre o início e o final da primeira década dos anos 2000, houve uma estagnação no desenvolvimento de novos tipos de sistemas
Entrou em vigor o New Start
Rússia e China introduziram 14 novos tipos de sistemas entre 2016 e 2023
New Start foi estendido até 2026
Rússia suspendeu a participação no
New Start, mas não encerrou o pacto
Observações: Os dados sobre os tipos de sistemas de armas nucleares incluem apenas os operacionais (que foram oficialmente ativados e capazes de serem utilizados). Os dados também foram obtidos apenas de fontes públicas, não incluindo fontes sensíveis, restritas ou classificadas.
Fonte: Os dados sobre os tipos de sistemas de armas nucleares são do The Council on Strategic Risks. Outras informações são do Wisconsin Project on Nuclear Arms Control, Scientists for Global Responsibility, Nuclear Weapon Archive e Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Oito décadas após o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, o mundo ainda lida com a ameaça nuclear. O aumento das tensões geopolíticas envolvendo potências nucleares reacendeu preocupações sobre uma potencial corrida armamentista, como ocorreu na Guerra Fria (1947-1991), e os riscos de uma guerra nuclear.
Até 2023, 76% dos novos tipos de sistemas nucleares foram introduzidos ainda durante a Guerra Fria, marcada pela tensão entre EUA e União Soviética. A busca pela dissuasão entre os países, estratégia que visa deter um adversário pelo medo de retaliação, levou ao aprimoramento dos arsenais para evitar ataques surpresa e garantir a segurança nacional.
Em resposta a essa expansão e aos riscos de uma tragédia nuclear, o TNP (Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares), assinado em 1968 e em vigor desde 1970, foi estabelecido como um marco internacional. Contudo, alguns países desenvolveram armamento sem o controle internacional, como é o caso de Coreia do Norte, Índia, Israel e Paquistão.
Atualmente, dos nove países que possuem armas nucleares, cinco são signatários do TNP:
Um sistema de arma nuclear é o conjunto de componentes necessários para o seu uso de forma controlada, incluindo as ogivas (munição nuclear), veículos de entrega, mecanismo de segurança, entre outros.
É possível categorizar os sistemas por tipo de missão, que considera, além do alcance do sistema e potência da explosão, o seu propósito de uso.
Possuem mísseis de capacidade mais limitada tanto de alcance quanto de explosão, projetadas para utilização em contexto específicos, como em campos de batalha
Possuem maior potência explosiva, com alcance intercontinental. São capazes de destruir cidades inteiras e ameaçar superpotências. As estratégicas da primeira geração eram bombas não guiadas que dependiam do lançamento por aeronaves e da gravidade para atingir um alvo
Têm características das armas estratégicas e táticas. Possuem potência e alcance intermediários ou flexíveis, podendo ser utilizadas desde conflitos regionais até em crises internacionais
43,6% dos tipos de sistemas de armas nucleares introduzidos até 2023 eram táticos, porém nenhum deles foi usado em combate. Apesar de terem uma capacidade mais reduzida em relação às estratégicas, essas armas ainda podem causar grande destruição quando comparadas às armas convencionais.
Existe também o receio de que, por serem vistas como mais passíveis de uso em guerra, esse armamento possa incentivar a normalização do uso de armas nucleares pelos países e desencadear uma nova corrida nuclear. No pior cenário, o uso de armas táticas colocaria fim à dissuasão, abrindo possibilidade para um contra-ataque com armas estratégicas.
Tipos de sistemas de armas nucleares por missão
De 1945 a 2023, apenas entre os cinco países detentores incluídos no TNP
Estratégicas de 1ª geração
*O gráfico representa apenas o número de tipos de sistemas
e não o número total de unidades ou quantidade de ogivas
Atualmente, a Rússia é o país com maior número de ogivas e também o que possui maior variedade de armas de uso tático operacional. Além de ter herdado os estoques da União Soviética, o país expandiu e aprimorou seu arsenal, assim como a China.
Com os desdobramentos da guerra na Ucrânia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fez ameaças públicas e exercícios com armas táticas. Essas ações são vistas como estratégia para dissuadir nações do Ocidente do conflito, porém tem aumentado as tensões de um potencial cenário nuclear.
Putin também suspendeu a participação da Rússia no New Start, que integra uma série de acordos feitos entre os EUA e a União Soviética (depois Rússia) para limitar e reduzir as armas nucleares estratégicas desses países.
Tipos de sistemas de armas nucleares por missão e ano
De 1945 a 2023, apenas entre os cinco países detentores incluídos no TNP
*O gráfico representa apenas o número de tipos de sistemas
e não o número total de unidades ou quantidade de ogivas
Estratégicas de 1ª geração
A Little Boy e a Fat Man deram início a 1ª geração de armas estratégicas
URSS cria sua primeira arma nuclear
Os EUA criaram a MK-5, primeira arma tática
Reino Unido cria sua primeira arma nuclear
EUA criam as primeiras armas híbridas e estratégicas
França cria sua primeira arma nuclear
Entrou em vigor o Tratado
de Não Proliferação de
Armas Nucleares (TNP)
China cria sua primeira arma nuclear
Recorde de 105 tipos de sistemas ativos
Entrou em vigor o Tratado de
Redução de Armas Estratégicas
(START I)
Entre o início e o final da primeira década dos anos 2000, houve uma estagnação no desenvolvimento de novos tipos de sistemas
Entrou em vigor o New Start
Rússia e China introduziram
14 novos tipos de sistemas
entre 2016 e 2023
New Start foi estendido até 2026
Rússia suspendeu a participação no
New Start, mas não encerrou o pacto
Observações: Os dados sobre os tipos de sistemas de armas nucleares incluem apenas os operacionais (que foram oficialmente ativados e capazes de serem utilizados). Os dados também foram obtidos apenas de fontes públicas, não incluindo fontes sensíveis, restritas ou classificadas.
Fonte: Os dados sobre os tipos de sistemas de armas nucleares são do The Council on Strategic Risks. Outras informações são do Wisconsin Project on Nuclear Arms Control, Scientists for Global Responsibility, Nuclear Weapon Archive e Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).