Num dia, ele escala os Andes, ou a parede gelada de um vulcão na Antártica. No outro, pilota um dos times que estão dando os últimos retoques no projeto do Sirius, o fantástico laboratório onde elétrons darão intermináveis rolês a bilhões de quilômetros por hora, disparando fótons para todos os lados, iluminando pesquisas para inventar materiais novos, desvendar as intimidades de cada organela de cada célula, decifrar rochas e fósseis e, quem sabe, encontrar vida fora da Terra.
Douglas Galante é um astrobiólogo – alguém dedicado a entender e procurar vida no Universo. Às vezes, ele vai coletar bactérias em lugares inóspitos como os vulcões submarinos, os desertos de sal ou regiões ensopadas de metais pesados. Aí leva essas bactérias resistentes para o laboratório UVX, um imenso tubo circular onde elétrons são acelerados à toda velocidade, para gerar uma imensidão de luz, que permite enxergar as coisas com a resolução de milhões de microscópios.
Mas, se o UVX é imenso – do tamanho de um prédio –, precisamos de um adjetivo melhor para qualificar o Sirius, que está sendo construído no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, onde Galante trabalha. Mastodôntico, talvez. Em 2020, o Sirius será inaugurado, tornando-se o melhor laboratório do tipo do mundo. É ele que Galante passará a usar para fazer o papel de Sol, bombardeando suas bactérias viajantes como se elas estivessem em Marte.
Cientistas do Brasil
Quem:Douglas Galante, 37 anos
O quê: astrobiólogo, pesquisa a vida no Universo
Onde: no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, em Campinas, onde ele aperta parafusos no Sirius, laboratório a ser inaugurado em 2020
Como:fazendo expedições a ambientes extremos para coletar bactérias capazes de sobreviver no espaço e bombardeando-as com fótons supervelozes num acelerador de partículas