Mais forte que o aço, mais transparente que o vidro, mais flexível que o plástico, melhor condutor que o cobre, mais fino e impermeável que qualquer coisa conhecida sobre a Terra. A descrição das características do grafeno, que vem sendo celebrado como um dos mais revolucionários materiais do futuro, lembra conversa de seriado de super-herói. Graças a elas, há cientistas pelo mundo sonhando com uma infinitude de aplicações tecnológicas, que vão transformar qualquer coisa em eletrônico e possibilitar a existência de traquitanas como um celular que você pode dobrar e enfiar no bolso. Ou jogar no chão. Ou pular na piscina com ele.
O mundo inteiro está competindo na corrida para desenvolver produtos com esse material-maravilha. E o Brasil está na corrida, graças a uma iniciativa que foi liderada pelo físico Eunézio Antonio de Souza, mais conhecido como Thoroh, um pesquisador com uma biografia quase tão surpreendente quanto a lista de atributos do grafeno.
Ele comandou o time que criou o Mackgraphe, um centro privado de pesquisa básica e desenvolvimento tecnológico, especializado em grafeno e localizado na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.
Fui encontrá-lo em sua pequena sala, no meio do centro de pesquisas de 4 mil metros quadrados, espalhado por um prédio próprio de oito andares. Thoroh me recebeu com um vozeirão de trovão — além de físico, ele é cantor lírico, um baixo dotado de voz natural, tão acostumado às bancadas de pesquisa quanto às salas de ópera. Ex-pesquisador do Bell Labs, o mítico instituto de pesquisa criado pelo inventor do telefone, ex-aluno do cantor da Metropolitan Opera de Nova York, dá para dizer que Thoroh chegou longe, especialmente para um menino negro nascido numa cidadezinha do interior de Minas.