Na adolescência, Patricia Bado ficava intrigada com a dificuldade de controlar seu próprio apetite. Foi esse interesse que a transformou em neurocientista: ela chegou à conclusão de que o comportamento alimentar estava no cérebro e de que o caminho para solucionar problemas de comportamento só podiam estar lá também.
Hoje ela já não tem mais essa convicção. Depois de passar centenas de horas olhando para neuroimagens e concluir mestrado, doutorado e pós-doutorado em neurociência, cogita começar do zero um curso de psicologia, em busca de respostas mais complexas do que uma máquina de ressonância magnética pode registrar. “Somos muito mais do que o nosso cérebro”, diz. Sua mudança foi motivada tanto pelas lacunas que foi percebendo em suas próprias pesquisas quanto pela descoberta profunda da complexidade humana, que veio com a maternidade.
Patricia teve o primeiro filho aos 27 anos e se separou sete meses depois. Quando ela me recebeu na entrada do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (o Idor), que fica aninhado num pé de morro num canto de Botafogo, no Rio de Janeiro, foi precedida por uma barriga de cinco meses de gravidez — sua segunda, do atual casamento.
Conversamos sobre a dificuldade de fazer carreira científica de ponta sendo mãe — e sobre o quanto uma creche pode ser decisiva. Patricia contou também de seus planos para o futuro, quando ela pretende passar menos tempo lidando com números, e mais com pessoas, em busca de impactos reais na saúde mental e no raciocínio crítico dos brasileiros.