No país do futebol, as mulheres jogam com menos: falta salário, público e estrutura
Naiara Albuquerque
28 de maio de 2017(atualizado 28/12/2023 às 02h32)O Brasil tem jogadoras talentosas, mas o cenário do futebol feminino é muito diferente do masculino. As atletas sofrem com baixos salários, desinteresse de marcas em investir na modalidade, nenhuma estrutura das equipes de base e falta de profissionalização da categoria
O movimento do apito do árbitro principal aconteceu pontualmente às 16 horas, indicando o início da partida e do campeonato, em Salvador, no Estádio Manoel Barradas. De um lado do campo, o atual campeão do Brasileirão de 2016, o Flamengo. Do outro, o time da casa, o Vitória. O jogo, que só contou com gols no segundo tempo, teve cinco cartões amarelos e seis substituições, nada fora do comum. O time rubro-negro, mesmo com a clara superioridade técnica, só firmou o favoritismo sobre o Vitória no segundo tempo. Fim da partida, Flamengo 3, Vitória 0. Com a vitória, as jogadoras da equipe carioca comemoraram os três primeiros pontos na tabela na primeira rodada do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, iniciada em 11 de março de 2017 .
Na descrição, jogos masculinos e femininos se parecem bastante. A realidade, porém, é mais complexa e revela um cenário com disparidades não só dos baixos salários das atletas em relação aos jogadores homens, mas do interesse de marcas em investir na modalidade. Somam-se a isso a falta de estrutura das equipes de base e de profissionalização da categoria.
O público da primeira partida do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino deste ano foi pequeno. Ao todo, 420 ingressos foram vendidos , rendendo um prejuízo de R$ 5.300. Para se ter ideia, em 2016, o Brasileirão masculino teve uma média de 15.293 espectadores pagantes por partida . Mas, no futebol feminino, eventos vazios e pouco interesse do público são fatos corriqueiros.
Em 2017, o campeonato das mulheres não terá todos os seus jogos transmitidos. A SporTV, um canal fechado do Grupo Globo, comprou o direito de 10 partidas do total de 140 do campeonato. O canal Band Sport também pagou pela transmissão de 15 jogos, mas os exibe dois dias depois da SporTV, assim como a TV Brasil, que também pagou por 15 jogos do Brasileirão feminino. A logística foi negociada pelos canais com a Sport Promotion. Realidade bem diferente do Campeonato Brasileiro de Futebol Masculino, que pertence ao Grupo Globo, único à frente dos direitos e que transmite todos os 380 jogos do campeonato dos homens.
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