Série

O anticientificismo explícito como estratégia de governo

Estêvão Bertoni

17 de dezembro de 2020(atualizado 28/12/2023 às 13h03)

Ao longo do mês de dezembro, o ‘Nexo’ destaca 20 características do nosso tempo que foram escancaradas em 2020. Neste capítulo, mostra como o negacionismo apareceu na pandemia

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FOTO: ADRIANO MACHADO E DADO RUVIC/SARIANA FERNANDEZ/REUTERS/NEXO

Montagem de duas fotos: em uma, presidente Jair Bolsonaro segura caixa de hidroxicloroquina. Ele está com o braço direito levantado; em outra, enfermeira usando máscara prepara injeção com seringa e frasco de vacina contra a covid-19, em imagem ilustrativa sobre vacinação

Bolsonaro exibe caixa de cloroquina e mulher prepara vacina contra covid-19, em imagem ilustrativa

De grupos que ignoram evidências para se opor a vacinas à crença infundada de que a Terra seria plana, movimentos que negam a ciência ganharam espaço no debate público ao longo da década de 2010. A chegada da pandemia explicitou como esse discurso pode ser instrumentalizado por políticos.

Com uma crise sanitária sem precedentes pressionando a economia, alguns líderes mundiais — no geral eleitos na ascensão de uma extrema direita conhecida por atacar o conhecimento científico e universidades — adotaram como estratégia negar a gravidade do novo coronavírus.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump chegou a dizer que a crise simplesmente desapareceria em algum momento. No Brasil, a gestão do presidente Jair Bolsonaro, admirador de Trump, foi ditada pelo negacionismo e pelo anticientificismo : ele se referiu à covid como “gripezinha” e chamou a preocupação com o vírus de histeria . Os dois países terminam 2020 com os dois maiores números de mortes pela doença no mundo.

O governo federal brasileiro atuou para sabotar medidas de distanciamento e isolamento social adotadas por estados e municípios, consideradas a melhor maneira de barrar a doença na ausência de remédios e vacinas. Dois médicos que comandavam o Ministério da Saúde foram substituídos , e a pasta passou a ter a sua frente um general que admitiu em entrevista não saber o que era o SUS (Sistema Único de Saúde).

Atenção tardia para um serviço público que se mostrou essencial na pandemia e é cada vez mais valorizado pela população – a confiança dos brasileiros no SUS teve crescimento recorde em 2020, enquanto caiu a depositada no presidente da República.

Até dezembro, Bolsonaro ainda tinha como principal bandeira a aposta na hidroxicloroquina , um remédio para malária que estudos mostraram não ter efeitos contra o coronavírus. Também dava declarações desincentivando a vacinação, num contexto em que grupos antivacina aumentam sua atuação e mais brasileiros declaram não ter intenção de se imunizar contra a covid-19.

Abaixo, o Nexo lista cinco conteúdos publicados em 2020 que ajudam a revisitar e entender o assunto.

Foto em preto e branco mostrando aglomeração com pessoas de máscara, sobreposta por uma linha vermelha ascendente representando a quantidade de mortos por covid-19 no Brasil

Multidão em rua de comércio durante a pandemia

O cálculo de uma tragédia: sem ciência na gestão

O Brasil atingiu a marca de 100 mil mortos pelo novo coronavírus em 8 de agosto de 2020. Publicada semanalmente, esta série do ‘Nexo’ em cinco capítulos aborda os aspectos sanitários, econômicos, políticos e sociais de um tempo que mistura cálculo e incerteza.

Leia na íntegra

FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS – 09.JUN.2020

General Eduardo Pazuello conversa com outros integrantes do governo federal durante evento. Ministro aparece em destaque atrás de outras pessoas que estão de costas. Ele usa máscara com imagem da bandeira do Brasil de um lado e símbolo do SUS de outro

Ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello participa de evento do governo federal em Brasília

Sem remédios básicos para UTI, com cloroquina de sobra

Órgãos de controle apontam baixa execução orçamentária e decisões desencontradas de um Ministério da Saúde que está sem titular.

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FOTO: ADRIANO MACHADO/REUTERS – 23.JUN.2020

Bolsonaro, de máscara, inclina a cabeça para baixo

O presidente Jair Bolsonaro, durante a inauguração do Centro de Operações Espaciais Principal, em Brasília

A responsabilização de Bolsonaro na pandemia sob análise

Ao ‘Nexo’, professores de direito e ciência política falam sobre as possíveis consequências eleitorais e jurídicas das ações e omissões do presidente da República durante a crise sanitária.

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FOTO: AMANDA PEROBELLI/REUTERS – 12.MAI.2020

Médica fala ao telefone enquanto olha informações de paciente em prancheta. Ao fundo, estantes guardam caixas com materiais hospitalares

Médica analisa ficha de paciente em hospital de campanha montado em Guarulhos para tratar doentes de covid-19

Como a cloroquina mostra o que há de ciência na prática médica

Debate sobre uso de medicamento sem eficácia contra a covid-19 opõe entidades que representam profissionais. Faculdades cogitam fortalecer ensino sobre evidências científicas.

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FOTO: PHIL NOBLE/REUTERS – 3.AGO.2020

Homem usando máscara de proteção contra a covid-19 caminha em frente a painel com o desenho de um enorme coronavírus na cor azul

Homem caminha em frente a painel com ilustração do novo coronavírus, em Oldham, no Reino Unido

O que é o ceticismo científico. E por que ele é necessário

Carl Sagan cunhou termo nos anos 1980 para defender uma atitude crítica. É algo muito diferente do negacionismo, que cresce na pandemia do novo coronavírus.

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