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No mês passado, dezembro, teve a 5ª edição do Festival Curta Brasília, que rola todo ano na capital do país reunindo cineastas, produtores, produtoras, atrizes, atores e apaixonados por cinema de várias partes do Brasil. A possibilidade do encontro, de se apaixonar, de rir junto com gente que você nunca viu na vida, de ter os papos mais densos e cabeçudos da vida, de poder balançar o corpo até de manhã, de pensar num novo filme, de fechar parcerias, conhecer gente, ter contato com outras realidades, conhecer histórias novas, se emocionar, isso é um pouco das muitas possibilidades que um festival de cinema pode proporcionar para nós: um encontro e dois mergulhos.
O Curta Brasília não foi diferente: realizado e produzido por uma equipe de mulheres, elas destoavam de todo o imaginário coletivo asqueroso que conhecemos quando tocamos na pauta “mulher”, o conceito tradicional de “sexo frágil” tomou uma bela de uma voadora com essa mulherada que não deixou a desejar em momento algum, que mostrou uma curadoria de filmes fortes e debates provocantes.
Além de todas as pessoas maravilhosas que tive a oportunidade de conhecer, da produção do festival e a galera que levou filmes para as mostras, fiz parte de uma conversa sobre mulher, política e a sétima arte, com as gigantes Anna Muylaert, Ana Arruda, Maeve Jinkings e Vera Egito. Uma é a cineasta que teve maior destaque nos últimos anos com o seu “Que horas ela volta?”, Arruda é diretora do Curta Brasília e fez uma mediação com uma costura brilhante, Maeve, menina doce e apresentadora do Curta Brasília, das últimas que aprontou foi o aclamado filme “Aquarius”. Já Vera, além de ter esse nome majestosamente genial que eu também queria ter, “Egito”, chegou em 2016 com o seu longa-metragem “Amores Urbanos.
O que todas nós tínhamos em comum: nos construímos socialmente como mulheres e trabalhamos num campo majoritariamente masculino e machista. (Há controvérsias sobre masculino e machista serem sinônimos, mas vamos deixar essa discussão para outro dia).
Muylaert, que deu início à conversa, relatou sobre as tantas dificuldades de ser mulher nesse campo, inclusive de entender que certos desafios aparecem unicamente por você ser uma mulher. E ter que adquirir força “Yin-yang“ durante a vida, como ela mesma ressaltou, porque nem sempre se quer entender as coisas como “será que isso que está acontecendo é machismo?” Muitas das vezes procuramos refletir por outros caminhos fora das questões de gênero, mas nos deparamos, na maioria das vezes, com sim, é machismo.
Yasmin Thaynáé cineasta, diretora e fundadora da Afroflix, curadora da Flupp (Festa Literária das Periferias) e pesquisadora de audiovisual no ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro). Dirigiu, nos últimos meses, “Kbela, o filme”, uma experiência sobre ser mulher e tornar-se negra, “Batalhas”, sobre a primeira vez que teve um espetáculo de funk no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e a série Afrotranscendence. Para segui-la no Twitter: @yasmin_thayna
Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.
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