Expresso

Por que é preciso usar máscara mesmo depois de imunizado

Cesar Gaglioni

11 de junho de 2021(atualizado 28/12/2023 às 23h10)

Contra as evidências, Bolsonaro quer desobrigar uso da proteção por pessoas vacinadas ou por quem já foi contaminado por covid

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FOTO: FÁBIO RODRIGUES/AGÊNCIA BRASIL

O presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília

O presidente Jair Bolsonaro durante evento em Brasília

O uso de máscaras é necessário mesmo que você já esteja vacinado contra a covid-19 ou já tenha tido a doença, diferentemente do que afirmou o presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira (10).

Durante um evento, Bolsonaro disse que tinha pedido ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a edição de uma norma que desobriga o uso de máscaras por pessoas que já foram vacinadas ou que já foram contaminadas no passado. A fala presidencial ignora algumas dinâmicas já estudadas da covid-19 e do funcionamento das vacinas.

Horas depois do evento, Queiroga se manifestou. Deu um jeito de elogiar o negacionismo do presidente, mas disse que qualquer norma desse tipo só será cogitada quando a vacinação tiver avançado significativamente no país. Neste texto, o Nexo explica por que você deve continuar usando máscaras por mais um tempo.

A proteção individual

Nenhuma vacina é 100% eficaz. Diferentes organismos reagem de formas diferentes – para algumas pessoas, a barreira imunológica da vacina será forte e ampla; para outras, será frágil ou inexistente.

Testes de eficácia de vacinas são feitos em laboratórios, com variáveis controladas. A efetividade – que mede o funcionamento do imunizante no mundo real – é cercada por fatores que não podem ser controlados, como questões individuais do sistema imunológico de cada um e histórico de doenças pregressas.

Laboratórios no país oferecem um teste que verifica a presença de anticorpos contra o coronavírus. O exame é chamado de Pesquisa de Anticorpos IgG para Sars-CoV-2 (nome científico do vírus).

Apesar de ter lastro científico, o teste não consegue mensurar com precisão a força da barreira imunológica, e também pode contar com dados enviesados do momento da coleta do sangue, apresentando um resultado falso positivo ou falso negativo.

Nesse contexto, não é possível saber se a vacinação de fato te protegeu ou se será eficaz em barrar o possível aparecimento de novas variantes do vírus. Por isso, evitar o contato com o vírus é essencial, e máscaras são comprovadamente uma barreira efetiva de contato.

Os riscos de reinfecção

Há também o risco de reinfecção – de o vírus contaminar e manifestar sintomas em pessoas que já tiveram a doença no passado.

94

é o número de casos confirmados de reinfecção ao redor do mundo até o dia 11 de junho de 2021

3

é o número de mortes após casos de reinfecção

Apesar de numericamente pouco expressivos, o risco da reinfecção existe, e pode aumentar com o passar do tempo, se surgirem novas variantes.

Os vírus são considerados parasitas obrigatórios , ou seja, só sobrevivem se estiverem em um organismo hospedeiro, onde se reproduzem, como forma de continuarem existindo.

Com o passar do tempo, vacinas e tratamentos vão surgindo, e o próprio corpo dos indivíduos passa a apresentar respostas imunológicas que combatem a presença dos vírus.

Os agentes infecciosos então precisam achar formas de se adaptar e criar mecanismos para continuarem se espalhando. Na maior parte dos casos, tais adaptações são feitas a partir de mutações espontâneas – surgidas de mudanças bruscas no genoma viral.

Em outros casos, as adaptações são mais rápidas e aperfeiçoadas, já que surgem do encontro de duas linhagens virais distintas, que se comunicam entre si e absorvem as melhores características uma da outra a fim de criar uma cepa mais resistente e com melhor capacidade de reprodução e transmissão.

Variantes mais transmissíveis e mais agressivas podem agravar o quadro da pandemia no Brasil e no mundo. Há também o risco dessas mutações conseguirem driblar a imunização promovida por vacinas.

A contenção da transmissão

É consenso entre os cientistas que medidas de distanciamento e isolamento social e o uso de máscaras só poderá ser dispensado quando cerca de três quartos da população adulta estiverem completamente vacinados.

Nesse cenário, o vírus continua circulando, mas encontra dificuldades em se espalhar de forma massiva, já que um número maior de pessoas está protegido. Como consequência disso, há menos casos confirmados e também menos mortes.

“A vacina não é uma ferramenta individual: eu me vacino, eu me protejo. É uma responsabilidade coletiva

Isabella Ballalai

vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, em entrevista ao Nexo em outubro de 2020

Países como Israel e Estados Unidos dispensaram o uso de máscaras após pelo menos um terço da população ter recebido duas doses da vacina. No Brasil, até sexta-feira (11), apenas 11,1% da população tinha recebido as duas aplicações.

O uso de máscaras também se faz necessário por incertezas em relação à capacidade das vacinas em impedir que imunizados transmitam o vírus para outras pessoas.

Até junho de 2021, apenas as vacinas da Pfizer e da Moderna (não disponível no Brasil) comprovadamente barraram a transmissão . Já a Coronavac e o imunizante de Oxford/AstraZeneca – os mais usados no país – ainda exigem estudos sobre a questão.

As diferenças entre as máscaras

MÁSCARAS DE PANO

Usadas desde o início da pandemia, as máscaras servem para isolar o sistema respiratório do usuário do ambiente externo, o que ajuda a combater doenças infecciosas. A OMS recomenda que as máscaras de pano tenham pelo menos três camadas para garantir boa filtragem. Essas máscaras têm a vantagem de poderem ser lavadas e reutilizadas.

MÁSCARAS DO TIPO N95 E PFF2

Os equipamentos do tipo N95 e PFF2 se diferenciam das máscaras de pano por apresentarem melhor filtragem e vedação (eles não têm “buracos” que deixam o ar entrar entre o rosto e a máscara). Diferentemente das de pano, essas máscaras são descartáveis, mas podem ser reutilizadas após alguns dias de uso, e são consideradas mais seguras.

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