Expresso

Amazônia: o que acontece se o desmate seguir o ritmo atual

Mariana Vick

16 de outubro de 2022(atualizado 28/12/2023 às 22h48)

Cientistas consideram floresta fundamental para biodiversidade, clima e economia brasileira. Crimes associados ao desmatamento também têm impactos sociais para a população local

O Nexo depende de você para financiar seu trabalho e seguir produzindo um jornalismo de qualidade, no qual se pode confiar.Conheça nossos planos de assinatura.Junte-se ao Nexo! Seu apoio é fundamental.

FOTO: BRUNO KELLY/REUTERS – 08.SET.2021

Vaca branca está de pé, olhando para a câmera. Ela está sobre o pasto. Atrás dela, há árvores e muita fumaça no céu.

Vaca em pasto desmatado na cidade de Humaitá, no Amazonas

O desmatamento na Amazônia bateu um recorde de 15 anos em 2021. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), órgão do governo federal que monitora a floresta, 13.235 km² da Amazônia brasileira foram derrubados entre agosto de 2020 e julho de 2021. A área, semelhante à da Irlanda do Norte, é a maior desde 2006.

O aumento mais recente do desmatamento segue uma trajetória de altas que vem desde 2013. Com a posse do presidente Jair Bolsonaro, em 2019, a atividade se intensificou. O desmate acelerado produz impactos nocivos para o meio ambiente, o clima, a população local, a imagem do Brasil no exterior e a economia do país, entre outros.

Em alta

Desmatamento anual na Amazônia. Curva ascendente a partir de meados dos anos 2010.

Neste texto, o Nexo explica o que pode acontecer com a floresta amazônica, com a população da região e com o restante do país se o desmatamento se mantiver no ritmo atual. Mostra também os efeitos da atividade para a mudança climática global e a avaliação de cientistas sobre o que pode ser feito para reverter esse cenário.

Os impactos para a floresta

O desmatamento na Amazônia cresceu a uma taxa média de cerca de 1.830 km² ao ano entre 2019, primeiro ano do atual governo, e 2021. O Inpe ainda não divulgou os dados consolidados de 2022. Com os números disponíveis, porém, é possível imaginar que, caso o desmate siga no ritmo atual, ele será de 15 mil km² neste ano (ou seja, 1.830 km² a mais que em 2021).

O cálculo está em um estudo divulgado em setembro por pesquisadores do Centro Clima da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Chamada “Cenário de continuidade”, a pesquisa, que teve apoio do Instituto Clima e Sociedade, estimou que, no ritmo atual, o Brasil terá em 2030 200 mil km² de área desmatada na Amazônia a mais do que tem hoje.

FOTO: AMANDA PEROBELLI/REUTERS – 28.JUL.2021

Terra desmatada faz fronteira com área coberta pela vegetação

Imagem aérea das franjas da Amazônia, no Mato Grosso

Para colocar os números em dimensões fáceis de compreender, dizer que a Amazônia tem perdido cerca de 1.830 km² de floresta ao ano equivale a dizer que ela tem perdido nesse período uma área um pouco maior que a da cidade de São Paulo, que é de 1.521 km². Já a perda de 200 mil km² em oito anos equivale à perda de um estado do Paraná.

O desmatamento nesse ritmo tem diferentes impactos ambientais. Com o aumento da perda florestal, a Amazônia pode chegar ao que cientistas chamam de ponto de não retorno , situação em que a floresta se degrada a tal ponto que não tem mais capacidade de se regenerar, caminhando em direção a um processo de savanização.

A Amazônia é uma floresta tropical úmida. Com a savanização, ela teria vegetação semelhante à do Cerrado brasileiro (embora o Cerrado não seja um bioma degradado, como a Amazônia seria). Não há certeza sobre o momento em que a floresta pode chegar a esse ponto, mas cientistas costumam falar em 20% a 25% de desmate de sua área total.

FOTO: RICARDO MORAES/REUTERS

Mulher observa trecho queimado da floresta amazônica

Mulher observa trecho queimado da floresta amazônica

Segundo Emilio Lebre La Rovere, coordenador do Centro Clima e professor da Coppe (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia) da UFRJ, a Amazônia tem hoje 17% de sua área total desmatada. “Caso haja desmatamento no mesmo ritmo, podemos chegar a 23% de floresta destruída em 2030”, disse ao Nexo .

Tasso Azevedo, coordenador do MapBiomas, projeto que mapeia o desmatamento no Brasil, deu, a partir de outro cálculo, um número mais grave. Segundo ele, 20% da Amazônia já foi embora, e os efeitos para o clima local são visíveis. “No norte da Amazônia, o período seco aumentou e o de chuvas diminuiu — embora a quantidade de água seja a mesma, o que gera enchentes. No sul, há aumento de temperatura, redução da quantidade de chuvas e aumento do período seco”, disse ao Nexo .

FOTO: BRUNO KELLY/REUTERS – 14.AGO.2021

Família do povo Cambeba participa de aula de canoagem, no rio Cueiras, no estado do Amazonas

Família do povo Cambeba participa de aula de canoagem, no rio Cueiras, no estado do Amazonas

Esse fenômeno também tem impactos para o regime de chuvas no Brasil. A Amazônia é responsável por grande parte da água que chega às demais regiões do país por meio dos chamados rios voadores (cursos d’água atmosféricos que carregam a umidade gerada na floresta e depois viram chuva). Segundo cientistas, o aumento do período seco nos últimos anos em regiões como o Sudeste e o Centro-Oeste é resultado de mudanças na Amazônia.

“[O aumento do desmatamento] poderia reverter os processos que tornam a Amazônia essa maquina de chuva que a gente conhece hoje”

Tasso Azevedo

coordenador do projeto MapBiomas, em entrevista ao Nexo

Os impactos ambientais desse fenômeno incluem o aumento de enchentes (pois, com o aumento do período de estiagem, as chuvas se concentram em menos dias) e maior probabilidade de incêndios florestais, segundo La Rovere. Em 2020, o Pantanal viveu uma onda de queimadas provocadas pela ação humana, mas depois o fogo se espalhou de forma natural, o que foi inédito no bioma.

Outro impacto do aumento do desmatamento na Amazônia é a perda de biodiversidade. A Amazônia é a floresta com maior diversidade de plantas e animais do mundo. Segundo cientistas, como há muitas espécies desconhecidas na região, é difícil estimar o tamanho da perda gerada pelo desmate. Azevedo, porém, disse que a taxa de espécies extintas por causa da perda florestal é igual ou maior à de espécies descobertas todos os anos.

15%

é quanto a Amazônia tem de toda a biodiversidade do planeta; floresta tem 60 mil espécies de plantas e animais vertebrados

Os impactos para o clima

Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, ligado à rede de organizações Observatório do Clima, o desmatamento é responsável por mais de 40% das emissões brutas brasileiras de gases de efeito estufa, que são os principais causadores da mudança climática .

O gráfico abaixo compara o desmatamento (chamado na imagem de “mudança de uso da terra e florestas”) com outras atividades brasileiras. Mesmo a agropecuária e o setor de energia não são tão poluentes quanto o desmate. A maior parte do desmatamento brasileiro acontece na Amazônia, que é a maior floresta do país.

Desmatamento lidera

Setores responsáveis por emissões no Brasil. Desmatamento na liderança

Conhecida também pela expressão aquecimento global, a mudança climática atinge todos os países. A emissão de gases de efeito estufa de atividades como a agropecuária e a produção de energia a partir do carvão e do petróleo têm aumentado a temperatura média do planeta e o nível do mar e causado alterações climáticas permanentes.

Reduzir as emissões é fundamental para evitar consequências do fenômeno mais graves que as que têm sido vistas hoje, como os eventos climáticos extremos (secas, inundações, incêndios e outros eventos fora do comum). Esses eventos, que já ocorrem, tendem a ficar mais intensos e frequentes à medida que as emissões crescem.

FOTO: RICARDO MORAES/REUTERS – 16.02.2022

Água marrom ocupa o que parece ser uma rua, com um carro verde quase submerso. Ao fundo, uma casa antiga

Enchentes na cidade de Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro

Com o desmatamento no ritmo atual, no entanto, é improvável que o Brasil combata o problema. Segundo o estudo divulgado em setembro por pesquisadores da UFRJ, a continuidade do desmate nos próximos anos pode levar o Brasil a ultrapassar em até 137% suas metas no Acordo de Paris, tratado internacional de 2015 que é considerado o mais importante no combate à mudança do clima.

FOTO: FOTO: VICTOR MORIYAMA/GETTY IMAGES – 25.AGO.2019/GETTY IMAGES

Árvores em chamas

Candeias do Jamari, próximo de Porto Velho, Rondônia

Proposto na 21ª edição da COP, a Conferência das Partes da ONU, o Acordo de Paris foi assinado por mais de 190 países para reduzir emissões e limitar o aquecimento global a 2ºC (ou, idealmente, a 1,5ºC) até 2100. Segundo La Rovere, apesar de o Brasil não ser o maior emissor global de gases de efeito estufa, o descumprimento da meta do país afeta o acordo.

“O Brasil tem um peso relativo no Acordo de Paris, mas [o cumprimento do tratado] depende também do que os outros vão fazer. É difícil dizer que o país inviabiliza o acordo. Mas o Brasil tem as melhores condições para fazer uma transição para uma economia de carbono zero até 2050. Se o Brasil não conseguir, é muito difícil que os outros consigam”

Emilio Lebre La Rovere

professor titular do Coppe e coordenador do Centro Clima da UFRJ, em entrevista ao Nexo

Os impactos para a economia

Além de comprometer a imagem do Brasil diante da comunidade global, que desde o início do governo Bolsonaro tem pressionado o país a reduzir os índices de desmatamento, o aumento das emissões tem impactos para o próprio país, cuja economia pode se prejudicar com o agravamento da mudança climática.

Com menos chuvas, a agricultura no Centro-Oeste e Sudeste pode perder produtividade — ou seja, produzir menos alimentos —, por exemplo. Os desequilíbrios causados pelo desmatamento e pela mudança do clima também têm impacto sobre o setor elétrico brasileiro, que é baseado em grande parte no uso de usinas hidrelétricas.

FOTO: ROBERTO SAMORA/REUTERS – 24.MAR.2018

Máquina agrícola carrega caminhão com soja

Caminhão é carregado com soja em fazenda em Porto Nacional, no Tocantins

Em 2021, a maior seca do país em 90 anos levou ao esvaziamento de reservatórios de hidrelétricas no Brasil. Com isso, o governo federal precisou acionar usinas termelétricas, que são mais caras e poluentes. O quadro prejudicou o bolso dos consumidores, que pagaram mais caro na conta de energia, e a indústria, o comércio e os serviços.

Também ocorreram no fim de 2021 uma série de eventos extremos de chuvas que atingiram estados como a Bahia e Minas Gerais. Esses eventos continuaram no início de 2022, em cidades como Petrópolis (RJ). Além de impactos econômicos, esses desastres provocam impactos sociais graves nas comunidades atingidas.

233

pessoas morreram após as chuvas que atingiram Petrópolis no início de 2022, segundo dados da prefeitura local divulgados em março

Segundo estudo de 2019 da Universidade de Stanford, nos EUA, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita brasileiro entre 1991 e 2010 foi 13,5% menor por causa dos efeitos da mudança climática. O PIB per capita equivale a tudo que um país produz dividido pela população. Ou seja, o aquecimento global afetou a produtividade da economia.

FOTO: ROGÉRIO ASSIS/FAPESP

Nascente seca de rio na bacia do Xingu, perto do Parque Indígena do Xingu

Fora do Brasil, parceiros do país podem bloquear as exportações de alimentos produzidos em áreas desmatadas, como carne e soja. Em setembro, o Parlamento Europeu aprovou uma lei anti-desmatamento que pode impactar mais de 80% dos produtos agropecuários do Brasil exportados para a União Europeia. Também há risco de investimentos do exterior no Brasil caírem com o aumento do desmate na Amazônia.

Os impactos para a população local

Além de ser um problema ambiental, o desmatamento é um problema de segurança pública na Amazônia. Em dezembro de 2020, um relatório produzido pelo Conselho Militar Internacional sobre Clima e Segurança afirmou que o “desmatamento ilegal desenfreado atrai outras formas de atividade ilegal, que também podem crescer rapidamente”.

FOTO: NACHO DOCE/REUTERS – 05.08.2017

Garimpeiro maneja bateia (espécie de bandeja própria ao garimpo) em água barrenta.

Garimpeiro maneja bateia em busca de ouro no município de Itaituba, no interior do Pará

Os estados da Amazônia têm observado uma disparada da criminalidade em anos recentes. O fenômeno vai na contramão do restante do Brasil. Enquanto os assassinatos no país caíram 7% em 2021, na região Norte houve uma alta de 10%, segundo dados do Monitor da Violência, parceria do G1 com o Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo) e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

54%

foi a alta de assassinatos apenas no estado do Amazonas entre 2020 e 2021; índice no estado puxou o da região Norte

A criminalidade na região ganhou destaque em 2022 com o assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips. O crime aconteceu na região do Vale do Javari, no Amazonas, em junho. Três suspeitos foram presos e viraram réus. Segundo a acusação, a suspeita é de que os assassinatos tenham ocorrido após Dom ter fotografado, a pedido de Bruno, um barco que estaria praticando pesca ilegal.

FOTO: UESLEI MARCELINO/REUTERS – 14. JUN.2022

Cartaz vermelho com os rostos de Dom Phillips e Bruno Pereira em protesto em Brasília. À frente da imagem, um índio com um cocar

Cartaz em protesto por Dom Phillips e Bruno Pereira em Brasília

Junto com o desmatamento, a pesca ilegal, o contrabando de madeira e minérios, o tráfico de drogas e o garimpo ilegal estão entre os eixos de criminalidade associados ao aumento de homicídios na Amazônia, segundo o professor e pesquisador Aiala Colares, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em entrevista ao Nexo em junho de 2022.

Fora a criminalidade, o desmatamento traz problemas de saúde para quem vive na Amazônia. Estudos mostram que a perda de cobertura florestal favorece a incidência de malária em estados como o Acre. Além disso, quando há queimadas associadas ao desmate, a fumaça emitida aumenta as internações por problemas respiratórios na região.

Para rebater os argumentos contrários ao desmatamento na Amazônia, quem defende a atividade costuma dizer que ela pode levar desenvolvimento para a região. Não há correlação , no entanto, entre desmatamento e prosperidade econômica. De 1999 a 2013, por exemplo, o PIB (Produto Interno Bruto) agropecuário da Amazônia cresceu mesmo com o desmatamento em queda.

Evolução da agropecuária

O desmatamento na Amazônia também não é vantajoso para o restante do país. Entre 2007 e 2016, o desmate médio de 7.410 km² por ano na região teve como resultado o acréscimo de 0,013% ao PIB nacional, segundo um estudo de 2017 citado pelo professor Ricardo Abramovay, da Faculdade de Economia e Administração da USP, em pesquisa sobre o efeito econômico da atividade.

Reportagem de 2021 da organização Repórter Brasil mostrou que o garimpo ilegal, outra atividade de impactos ambientais e de saúde negativos na Amazônia, trouxe ganhos expressivos para pessoas que antes viviam na pobreza e hoje trabalham nessa cadeia. Grande parte dos empregados das embarcações, no entanto, trabalha em condições precárias e de alto risco, por causa da ilegalidade da atividade.

O que fazer para evitar esses cenários

O país já conseguiu frear o desmatamento na Amazônia outras vezes. De 2004 a 2012, houve 83% de queda na atividade depois de o governo federal ter implementado o PPCDam (Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal), principal política pública criada para a região nos últimos anos.

FOTO: REPRODUÇÃO/IBAMA

homem, em cima de ripas de madeira, navega num rio

Madeira apreendida âmbito da Operação do Ibama

Elaborado no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o plano envolveu mais de dez ministérios e baseou-se na ideia de que o desmatamento não pode ser enfrentado de modo isolado por órgãos ambientais, mas deve ser abordado de forma abrangente e integrada por mais instâncias do governo federal. Os pilares do plano foram:

  • o monitoramento da Amazônia por meio de satélites
  • a aplicação da lei ambiental, com o fortalecimento de órgãos fiscalizadores, como o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e a Polícia Federal
  • a expansão de áreas protegidas , como terras indígenas e unidades de conservação
  • a restrição de crédito para fazendeiros que desmataram
  • a política de municípios prioritários , que listou os locais da Amazônia com mais desmate e criou ações focalizadas

Além de ter aumentado o cerco sobre o desmatamento que existia, o PPCDam evitou novos desmates ao adotar medidas como a expansão de áreas protegidas. O desmatamento associado à grilagem (ato de tomar terras ilegalmente para depois vendê-las), por exemplo, prospera menos em unidades de conservação e terras indígenas demarcadas, pois é mais difícil vender terras que são reconhecidamente públicas.

1%

foi o percentual de perda florestal em terras indígenas na Amazônia nas últimas três décadas, segundo dados de 2022 do projeto MapBiomas; áreas desse tipo têm os menores índices de desmate da região

O sucesso dessas medidas tornou o Brasil referência no combate ao desmatamento. A redução nas taxas de perda florestal atraiu a atenção de outros governos, que passaram a apoiar o Brasil usando meios como o Fundo Amazônia , criado em 2008 para atrair doações de países que quisessem apoiar projetos de preservação da floresta.

FOTO: LUCAS LANDAU/REUTERS – 07.SET.2021

Indígena está sentado sobre pequeno barco, que navega por um rio. Atrás desse rio vê-se a floresta.

Indígena da etnia Kayapó faz vigilância da Terra Indígena Menkragnoti (PA) contra invasores

O desmatamento parou de cair depois de 2012, nos governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB). Os motivos foram mudanças de ordem política, como a aprovação do novo Código Florestal de 2012 (considerado mais permissivo), o abandono da demarcação de áreas protegidas e a redução orçamentária do Ministério do Meio Ambiente.

Com Bolsonaro, que se opõe publicamente à proteção ambiental, o problema se agravou. O presidente tirou o poder de órgãos ambientais, busca afrouxar leis da área, paralisou a demarcação de terras indígenas e defende o avanço de atividades como o garimpo na Amazônia. O antigo PPCDam está paralisado.

La Rovere disse ao Nexo que é preciso retomar as políticas que deram certo. “Para parar o desmatamento, a gente precisa de um choque de presença do Estado, para fazer cumprir a lei e evitar invasões de terras públicas”, disse. Ele também citou a recuperação de terras degradadas e medidas econômicas, como a restrição de crédito para fazendeiros em desacordo com a lei.

FOTO: PAULO WHITAKER/REUTERS – 07.SET.2020

Bois pastando. Ao fundo, floresta

Criação de gado no Mato Grosso

“Sabemos como fazer. Evidentemente, a situação de impunidade [para quem desmata ilegalmente na Amazônia] chegou a tal ponto que vai ser mais difícil reverter o cenário agora. Mas é possível. Isso nos permitiria não só cumprir a meta brasileira [do Acordo de Paris], mas ir além, com um papel de liderança na transição para a economia de baixo carbono.”

Azevedo disse que é preciso haver “tolerância zero” com invasões de terras indígenas e unidades de conservação. Ele também falou em criar novas áreas desse tipo em florestas públicas não destinadas (ou seja, que não são terras indígenas nem unidades de conservação, e por isso são vulneráveis à grilagem).

Colaborou Caroline Souza com os gráficos

NEWSLETTER GRATUITA

Nexo | Hoje

Enviada à noite de segunda a sexta-feira com os fatos mais importantes do dia

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Gráficos

nos eixos

O melhor em dados e gráficos selecionados por nosso time de infografia para você

Este site é protegido por reCAPTCHA e a Política de Privacidade e os Termos de Serviço Google se aplicam.

Navegue por temas