Por que novos sensores medicinais são testados em abelhas
Lucas Zacari
14 de junho de 2023(atualizado 28/12/2023 às 17h26)Centro de pesquisa na Alemanha desenvolve aparelho minúsculo que pode substituir câmeras de endoscopia e marcadores de pressão arterial. Insetos ajudaram em estudo de monitoramento
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Abelha equipada com o sensor
Pesquisadores do laboratório de pesquisa privado Philips Research, em Hamburgo, na Alemanha, estão desenvolvendo pequenos sensores capazes de registrar e reconstruir o caminho percorrido no organismo em 3D.
O estudo, publicado na revista Science em 1º de junho, seria um método que poderia ser usado como alternativa a exames invasivos como a endoscopia , no qual uma câmera entra com um fio no sistema digestivo e há necessidade de anestesia do paciente.
O sensor desenvolvido pelos pesquisadores alemães prevê que a minúscula estrutura seja engolida e depois expelida pelo paciente. Jürgen Rahmer, um dos pesquisadores, disse ao site New Scientist que, pelo seu tamanho e por não ter fio, “a implantação do dispositivo é muito menos estressante e também muito menos custosa”.
Uma diferença é que a imagem dos exames seria reconstruída digitalmente a partir das informações obtidas pelos sensores e não por câmeras, como acontece na endoscopia.
O sensor poderia ter outros usos — a pesquisa também levantou a possibilidade de implantar o equipamento no coração, para medição contínua da pressão arterial, e em tumores, para observar de forma ininterrupta o espalhamento ou a erradicação da doença.
A equipe de pesquisa estima que ainda precisa de cinco a oito anos de testes e estudos para começar a aplicação medicinal. Os sensores ainda não foram testados em humanos. Em um dos experimentos, o equipamento foi jogado em um tubo longo e retorcido, semelhante ao sistema gastrointestinal. Outro envolveu participantes inusitados: abelhas.
Num dos testes para analisar a capacidade de monitoramento posicional dos sensores, o aparelho foi acoplado nas costas de abelhas para detectar o posicionamento e a temperatura.
As medições foram feitas por meio de duas esferas magnéticas inseridas em uma proteção oval transparente – o que deixou a estrutura semelhante a uma mochila, de cerca de um milímetro de tamanho. Enquanto uma é fixa na estrutura, a segunda pode se mexer, através da repulsão ou aproximação.
Nos testes, os pesquisadores monitoraram a atividade do sensor a uma distância de 25 centímetros. Quando os cientistas emitiram pequenos pulsos eletromagnéticos, as esferas se moviam, se contraiam e se expandiam. De acordo com a pesquisa, são essas movimentações que permitem o monitoramento espacial e corporal dos animais.
Os testes para o uso desses sensores foram realizados em um ambiente controlado: uma caixa decorada com flores. Assim, os pesquisadores puderam reconstruir os padrões de voo e as posições do animal de forma mais precisa.
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